3.9.14

No tabuleiro de jogo que é o nosso amor, eu perco sempre. Mesmo quando a jogada final é minha. Mesmo quando ganho. 
Jogamos sem regras para não ter que fazer batota.

2.9.14

#74

A ideia de tu nunca vires a compreender o que se passa debaixo desta pele incomoda-me. Dentro de mim o amor anda aos trambolhões e para ti serão sempre só palavras. É fácil gostar de ti, encontrar vocabulário que te sirva. Difícil é lidar contigo. Não sei o que se faz com o amor que passa de validade. Guardo-o debaixo da almofada porque tenho medo que me deteriore o coração. Setembro fica-me sempre com o amor. E eu quero Maio de volta. Maio e as cores. O vestido florido e a música na rádio que cantei a pulmões cheios e nunca te disse que fora para ti. O céu lavanda do crepúsculo na falésia, e o peso do teu corpo apoiado no meu. "E fazes muito mais que o sol". Troco dias por vir por esse dia que já lá vai. Não sei se foi o dia mais feliz que partilhei contigo - sei que foi o mais completo. Sei que esse dia chegou ao fim, e Maio também. Sei que quero esse dia de volta. Traz-me Maio em Setembro. E demora-te por cá - sabes que és bem vindo. Há um lugar teu em mim.

30.8.14


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21.12

Quis dar-te o mundo aos bocadinhos, trazias já os bolsos cheios. "Crimes destes acontecem todos os dias, é por isso que o mundo é um lugar feio às vezes", penso enquanto preparo o luto e aceito revoltada as noites frias que me esperam. O que o amor dá, o amor tira, e este cantinho do peito em que costumava guardar-te é agora uma casa vazia onde as memórias sujam o papel de parede e o pó se acumula no lugar exacto em que partilhámos a cama. A chuva há-de fazer eco aqui quando o inverno chegar. Dói mais à noite. Perder-te em silêncio e devagarinho dói sempre mais à noite. Penso em ti até que me pese demais pensar, e ainda aí, penso mais um pouco. Mãos. As tuas mãos fazem-me falta. Essas mãos eram amor - escrevi-lhes odes. Essas mãos que me procuravam e me conheciam o corpo, esboçaram um adeus ténue, dissimulado e desajeitado e magoaram-me o coração. Essas mãos magoam o que um dia cuidaram. Cometem crimes sem saber. 
Já não há flores nem constelações. Tenho o coração ermo. 
O mundo está cheio de crimes, já não há lugar para o amor.