11.8.14

Náufragos de corações outrora submersos em águas de Adamastor, achámos-nos à deriva. 
Hoje, embarcamos de novo sobre marés de afecto e há amor a potes no porão.

10.8.14

00.51

Quando nos teus braços, sou pequenina por fora e grande por dentro. As horas são demoradas nos dias que passam apressados e o manifesto da ternura és tu. Colecciono as madrugadas lavanda que já testemunhámos e listo-lhes o sortido de tonalidades com que pinto sonhos nas horas em que não tenho como aquecer os lençóis da cama em que mato as noites. Escrevo-te poesia oca de sentido porque as palavras não me saciam a sede de amor que me queima a garganta. Sei-te dos quatro cantos do mundo como me sei de cantos de métrica e letras. E escrevo, escrevo-te muito. Escrever-te-ei até que se me sacie a sede e as mãos me doam e as palavras fiquem gastas. Quem sabe um dia, por amor ou poesia, sejas um bocadinho mais meu.


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4.8.14

Das coisas que nos ferem o coração:

Correndo o risco de soar como uma miúda ridiculamente apaixonada, vou admitir que ouvir-te a voz foi como se me retirassem de cima dos ombros o peso de três mundos. Mas o que sou eu ultimamente senão uma criança longe de casa, envergando um corpo de mulher e um coração tão pequeno e apertado que se me perde no peito? Não sei ser amante de fim de semana, gosto de ti a tempo inteiro. É só para te dizer que tenho saudades tuas e que este amor me torna frágil. Estou assustada e não sei o que fazer com as mãos que me deixas vazias. Volta para casa depressa. E quando voltares, ensina-me o caminho.