24.7.14


Paris Polaroids from here


19.49

A noite passada visitei França em ti. Beijei-te os lábios e provei a pronúncia sofisticada e graciosa das gentes, percorri todas essas avenidas cheias de amor que nos transformam o coração num colibri. Vi de perto a exuberância barroca de Versailles ao estudar-te o torso e senti o aroma das rosas desses jardins em que cabe a imensidão da história quando te inalei a respiração ofegante. Plantei pérolas pelos trezentos e um metros de Torre Eiffel em poucos segundos, e do topo dessa insígnia da arquitectura francesa desfrutei da mais extenuante vista. França parecia do tamanho do mundo e estendia-se a meus pés - podia lá ter vivido para sempre e mais um dia. Já de madrugada, percebi que Paris é vermelha carmesim e que os vitrais da Sacre-cœur e da Notre Dame são metrópoles de cores que choram não te ver. O mundo só admira o sorriso de Mona Lisa porque não conhece o teu, e o Louvre do teu amor é a tela mais encantadora e caricata que a Arte já testemunhou. Visitei França numa noite sem nunca deste quarto ter saído. Pisei o território das palavras de Júlio Verne, da simplicidade estética de Matisse, da genialidade impressionista de Monet e das tardes parisienses boémias que inspiraram Toulouse-Lautrec. França, tão cosmopolita e maravilhosa. Centro de reunião artística e espiritual, voragem de cultura e berço da criação das coisas mais bonitas que o mundo conhece - a sua mais bela criação dorme a meu lado em terras lusitanas.

17.7.14

01.57

Sempre me disseram que tenho mãos de pianista por serem esguias e compridas. Há uma certa delicadeza e perícia nas mãos de um pianista, e uma certa virilidade, por oposição. As minhas mãos são grandes. Tenho mãos de pianista e gosto disso. Gosto das minhas mãos e das tuas, mas gosto principalmente das minhas mãos nas tuas e do que acontece quando se procuram. As minhas mãos são melhores quando estão com as tuas: cabem nelas os dias de Agosto e as noites de Fevereiro. Quando as nossas mãos se compilam, olho para as minhas mãos grandes e parecem-me pequenas e frágeis. Estas mãos agora pequenas, carregam esperanças, sonhos e mundos que te deixo à porta todas as noites à mesma hora. As minhas mãos já não são grandes. Não comparadas com as tuas. As minhas mãos são pequenas e frias, e suam quando te vejo, tremem quando me tocas. Tremem-se-me as mãos e os joelhos, abala-se-me o mundo. Mas os sonhos, seguro-os em mim, para tos oferecer mais tarde ao cair da noite. As minhas mãos são pequenas e não aguentam o peso do meu corpo, mas guardam o meu amor por ti. É tão grande esse amor que mais nada cabe nas minhas mãos, outrora grandes. Sempre me disseram que tenho mãos de pianista. Gosto disso. Nunca aprendi a tocar piano, mas aprendi a tocar-te as cordas do coração e a escrever música na tua pele. Componho melodias bonitas quando te toco o corpo. As minhas mãos já não são grandes, grande é o amor que nelas carrego. As minhas mãos são pequenas. Mas o teu coração coube nelas - servem-me bem.


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11.7.14

Sobre o amor, com amor. Para a minha pequenina de 5 anos, 10 anos mais tarde.

Vai chegar o dia em que vais querer ser de alguém. Em que alguém te vai partir o coração e tu vais deixar. Quando esse dia chegar, vais achar que o amor é um hematoma - é bonito e tem cores quentes, mas dói. Vai saber-te a sangue debaixo da língua e a ossos partidos pelo corpo quando respirares fundo. Vão dizer-te que não é amor. Mas é, pequenina. É amor. É amor e vem em várias formas e tamanhos, e por vezes, não nos serve. Quando enterrares esse amor, enterrarás com ele essa inocência de se gostar que se tem aos 15 anos. Um dia vais amar outra vez. Vão encher-te o coração e vais perceber que ainda que pudesses voltar atrás, não quererias.