22.6.14

15.21

Sempre pertenci às cores e às letras. E mais tarde, ao amor que delas surgiu quando o teu amor me morreu nas mãos. Aos nove anos recebi um presente daqueles que nos definem: uma caixa de quarenta e oito lápis de cor. Desde então que o lápis número 153 passou a ser a minha cor favorita - turquesa cobalto. Cinco anos mais tarde comecei a estudar arte e cruzei-me contigo, na galeria do acaso. Tu sempre foste um mistério: alguém que estudava uma ciência exacta e conduzia um estilo de vida oposto, e pareceu-me que esse paradoxo com pulmões que eras, levava a vida ao centro e me mantinha os demónios entretidos. Quando discutimos a temperatura das cores, disseste-me que o azul era a cor mais quente e justificaste-o com fotões e quantidades de energia, e apesar da arte me ensinar que o azul era uma cor fria, eu concordei contigo. O azul não podia ser senão uma cor quente porque eu sempre gostei de calor e de azul, e os teus olhos eram turquesa cobalto e tu mantinhas-me os dias quentes em pleno fevereiro. A arte não é exacta e por vezes, pareceu-me a mim, pode ser definida simplesmente como a ciência resumida a amor e cores bonitas. Só mais tarde entendi que o amor, como a arte, é subjectivo e que duas pessoas podem sentir a mesma obra de arte de formas completamente distintas. Os dias que contigo vivi fizeram-me crer que o azul era uma cor quente, mas os que vivi sem ti levaram-me a concluir que, na verdade, é uma cor fria. E percebi então que para mim, a exactidão está nas artes. Hoje sei que apesar de racional, sou subjectividade até aos ossos. Gosto de fórmulas e de regras porque tenho necessidade de entender o mundo, mas o amor, sinto-o à bruta. 
Aprendi que sou filha de um estranho matrimónio entre matérias que se anulam mutuamente. E que, embora o turquesa cobalto me fascine, é o castanho que me mantém o corpo quente.


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17.6.14

8.52 p.m


I am used to demons that sing me wonderful lullabies but burn holes in my skin when their hands rest on my body, but your touch is heavenly. Your hands feel like they could have helped some kind of god build the universe. Those hands of yours, they can make flowers grow right under my eyes and I don't even have to cry to make them pretty. You're an architect of beautiful things and I'm learning not to feel love in such a tragic way. I don't feed myself on bitter words that taste like vodka but burn like poison anymore, and I water all my plants now. You help me hold myself together and maybe that is the reason why every poem I write is an ode to your hands.

16.6.14


Robbers by The 1975 from Tumblr


Dos amores antigos que nos deixam lições valiosas e um coração dorido:

Tinha seis ou sete anos quando descobri que gostava de ver coisas a arder. Sentava-me em frente à lareira e queimava papéis de rebuçado. Talvez tenha sido esse o momento em que associei a beleza à destruição, e talvez isso explique porque gostei tanto de ti. O amor que te tinha levou-me à ruína. Sempre gostei de ver o fogo destruir, e quando o nosso amor entrou em combustão, fiquei a ver-nos arder. O amor que tinha em mim era tanto que não me importei de ser destruída. Disse-te uma vez, quando os dias ainda eram nossos, que me eras como oxigénio e me enchias os pulmões de vida, e ignorei que a presença dessa substância é o primeiro passo para a combustão. Quando ardemos, achei bonito. E fiquei. Fiquei até que nada mais houvesse para arder - até que os pulmões se me enchessem de cinzas. Até eu mesma me reconhecer como parte dessas cinzas. 

Depois, renasci.