16.6.14


Robbers by The 1975 from Tumblr


Dos amores antigos que nos deixam lições valiosas e um coração dorido:

Tinha seis ou sete anos quando descobri que gostava de ver coisas a arder. Sentava-me em frente à lareira e queimava papéis de rebuçado. Talvez tenha sido esse o momento em que associei a beleza à destruição, e talvez isso explique porque gostei tanto de ti. O amor que te tinha levou-me à ruína. Sempre gostei de ver o fogo destruir, e quando o nosso amor entrou em combustão, fiquei a ver-nos arder. O amor que tinha em mim era tanto que não me importei de ser destruída. Disse-te uma vez, quando os dias ainda eram nossos, que me eras como oxigénio e me enchias os pulmões de vida, e ignorei que a presença dessa substância é o primeiro passo para a combustão. Quando ardemos, achei bonito. E fiquei. Fiquei até que nada mais houvesse para arder - até que os pulmões se me enchessem de cinzas. Até eu mesma me reconhecer como parte dessas cinzas. 

Depois, renasci. 


12.6.14

01.51

O que nos dói é o excesso de amor que carregamos ao peito. Gastam-se-nos as 300g de massa muscular no coração e passamos a levar o amor na algibeira. E pesa-nos tanto, por vezes. Mas não a ti. Tu leva-lo debaixo do braço, à vista desarmada. Há amor nas esquinas do teu corpo, nas ruas da tua pele, na avenida das tuas mãos. Não sei qual a fórmula que te concebeu, qual a matemática que te reside nos ossos, ou o plano axonométrico na base da tua arquitectura corporal, mas acredito que 90% de ti seja amor em bruto. O amor que há em ti uiva em noites de lua cheia e corre com os ventos - é selvagem. É livre e sem destino. E eu gosto, quando esse animal me procura no fim de cada semana para repousar nos meus braços e curar-se da vida.



Lovers - Marcel Castenmiller

8.6.14

#72

Entraste um dia na minha vida por mão do acaso, e não houve acaso mais bonito. Espero que te demores por cá. Gosto de ter-te em mim, pelos cantos da casa que é o meu corpo. Cento e setenta e dois dias de ti são cento e setenta e dois dias de amor aos bocadinhos em que nos damos em segredo, porque o que somos, cabe-nos a nós apenas. E custa a caber em nós, de tão grande que é. Que os dias se multipliquem à medida que nos dividimos um pelo outro. Que os cem se tornem mil, à medida que dois se tornam um.