17.4.14

20.49

Gosto do teu francês, de ouvir-te falar sobre trivialidades e de ver-te dormir. Gosto das tuas mãos e dos teus beijinhos e da tua falta de atenção ao mundo exterior. Gosto do universo que me mostras aos poucos, das tuas palavras simples e pausadas, e até do cheiro a tabaco que te fica na roupa. Gosto da tua voz de sono e do teu ar cansado mas satisfeito quando acordas às 7.40 da manhã de um domingo ensolarado e me puxas para junto do teu corpo, peito com peito. Nunca to disse, mas gosto mesmo é de ti. Escrevo-te cartas e poemas, e faço uso de palavras que não sabes o que significam, mas meu amor, acredita quando te digo que há coisas que são eternas ainda que não durem para sempre, e essas palavras, quem as criou, sonhou que um dia pudessem ser dedicadas a alguém como tu.



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30.3.14


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22.14

O teu corpo é-me uma terra de encantos estrangeiros. Fala-me numa língua que mal posso esperar por compreender por inteiro e possui caminhos que desejo explorar ao milímetro. Há zonas da tua pele nas quais quero plantar ternura e desejo animal. Quero conhecer-te a textura de um arrepio, o som de um suspiro. Há partes do teu corpo que quero rastrear com a ponta dos meus dedos até apreender todas as tuas formas e ângulos, e partes de ti que quero beijar com cuidado e com força e volúpia, e hábitos teus que quero conhecer, como o que fazes com as tuas mãos quanto não tens nada em que segurar e qual a tua expressão de concentração e a história por trás dessa tua cicatriz. 
Quero descobrir a fórmula exacta que me permita calcular o ângulo da curva da tua coluna e acariciar as tuas mãos grandes e sempre quentes e calejadas. Quero reduzir o espaço entre os nossos corpos até que nos seja impossível perceber onde eu termino e tu começas. Quero cartografar-te o corpo e mestrar-me na arte que é essa geografia que te compõe. 
Há sítios que sonho em visitar e todos eles são em ti.



26.3.14

#68

Julguei precisar tanto de amor como de água nos pulmões. Tocas-me a alma, beijas-me o corpo e plantas em mim a ânsia de me afogar. Como é burlesca e obtusa a natureza humana. E quão feliz se consegue ser no seio da heresia racional.