31.1.14

00.38

Um facto sobre os opostos: atraem-se. Mas não combinam. Isto é física moderna, electromagnetismo. E amor. 
Gostar assim dói porque é esgotante e cru, e é bárbaro que imploremos e encontremos conforto nesse amor que não nos serve. Gostar assim faz-nos crescer nódulos no coração. Gostar assim é aceitar que há almas que foram feitas para correr com os lobos e que por isso não estão aqui a tempo inteiro, e que lhes chega amar aos bocados. 
Mas gostar de ti é tão diferente. De ti, gosta-se por inteiro. Gostar de ti é reconhecer que comecei a morrer desde o dia em que nasci, e quase acreditar que depois desta morte a que chamam vida, não existe só o frio do vazio e do esquecimento. Não acredito que exista um paraíso divino, mas se existir, há-de ser da cor dos teus olhos. Reconheço fé em mim, o supra-sumo da racionalização. Conferes-me o estatuto de crente em algo que não compreendo e que, de alguma forma, espero que seja amor. E faz-me bem, sabes. 

Não sei o que me fazes, mas faz-me bem.


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30.1.14

1.09

É tão caricato, isto do amor. Levo a vida a acreditar que o melhor odor que existe é o de fim de tarde numa terra pequenina, a um canto morno e rosado do Algarve em pleno Agosto. Um dia tu apareces, e eu descubro debaixo do céu da meia noite e dezoito, que não há cheiro como o da tua pele numa noite fria e célere de Janeiro.

24.1.14

22.45

Tens marés e marés de estações por trás desse olhar. Sinto que os teus demónios se sentam à mesa com os meus. Compreendem-se, são compatíveis. Brindam e sorriem mutuamente. Contam histórias. E eu que nada sei sobre o amor, gosto-te o suficiente para te querer perto. Tocas-me a alma sem pressa de me tocar o corpo - e é assim que eu sei que podemos ser infinitos. Temos mundos a crescer-nos dentro do peito.