#62
A pior crise que sofro sob o efeito desta síndrome de ti é quando, por vezes, tenho estes momentos de lucidez em que me apercebo de que não mereces nem metade do amor que te queria dar e ainda assim não sou capaz de o guardar para mim. Deixo-to aos poucos, secretamente, à porta dos olhares que me deitas quando entras na sala e eu tenho que me esforçar por segurar o coração ao peito para que não me caia de novo e se perverta em ilusões.
Se um dia sentires falta de amor, procura debaixo do tapete da entrada. Deixei todo o que tinha lá, à tua porta, quando fiquei fechada do lado de fora à chuva.
17.12.13
13.12.13
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11.02
O meu maior hematoma tem o teu nome cravado debaixo da pele ofendida. Tento enterrar a queda, mas a dor ainda se esconde debaixo dos meus poros. A esperança - esse veneno - coabita com ela a um canto do coração maltratado. Este estado de euforia e tensão em que nos vimos envoltos fez-me fumar o tabaco que outros exalavam e inalar o álcool na tua respiração que me segredava coisas descontextualizadas ao ouvido, e me fazia sentir o desejo ébrio nos joelhos trémulos. Hei-de morrer de uma causa justa um dia, mas até lá encosto-me à vida e deixo que me matem.
7.12.13
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11.23
Há quem sinta o amor no estômago. O nosso quase amor sentia-o eu nos ossos. Escrevi-te poemas que deixam um travo amargo de desgosto debaixo da língua. O que fomos nunca soube definir. Talvez duas forças opostas que se atraem debaixo de uma pele semelhante que nos torna parecidos. Mas somos tão diferentes, não somos? Somos quase antagónicos. E eu, eu sou tão atípica que choro pelo mundo, mas nunca em casa. Já não sei se gosto de ti ou da ideia de ti. Porque afinal, quem és tu? Quero-te muito, e não é justo. Não é justo que vás e voltes quando podes ou te apetece e eu me esqueça de respirar a cada regresso teu. Alguma vez voltaste mesmo? E eu, quem sou eu? Sou o que resulta da equação do que não chegámos a ser. Sou o resultado da soma de sentimentos híbridos, um maravilhoso caos prolífico. A "teoria do caos" só é matemática porque afinal, a nossa frágil humanidade é-nos dada pelas subtracções da vida. Demoro-me por isso, nas letras. São elas o catalisador que me ajuda a expelir mais rapidamente tudo aquilo que me apodrece o coração. A verdade é que nada percebo de química, ou matemática ou de amor. Mas percebo de metáforas e do que me aquece as mãos frias e de ti. Costumava perceber de ti.
Sei o que escrevo, mas não sei para quem.
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