13.12.13


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11.02

O meu maior hematoma tem o teu nome cravado debaixo da pele ofendida. Tento enterrar a queda, mas a dor ainda se esconde debaixo dos meus poros. A esperança - esse veneno - coabita com ela a um canto do coração maltratado. Este estado de euforia e tensão em que nos vimos envoltos fez-me fumar o tabaco que outros exalavam e inalar o álcool na tua respiração que me segredava coisas descontextualizadas ao ouvido, e me fazia sentir o desejo ébrio nos joelhos trémulos. Hei-de morrer de uma causa justa um dia, mas até lá encosto-me à vida e deixo que me matem.




7.12.13



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11.23

Há quem sinta o amor no estômago. O nosso quase amor sentia-o eu nos ossos. Escrevi-te poemas que deixam um travo amargo de desgosto debaixo da língua. O que fomos nunca soube definir. Talvez duas forças opostas que se atraem debaixo de uma pele semelhante que nos torna parecidos. Mas somos tão diferentes, não somos? Somos quase antagónicos. E eu, eu sou tão atípica que choro pelo mundo, mas nunca em casa. Já não sei se gosto de ti ou da ideia de ti. Porque afinal, quem és tu? Quero-te muito, e não é justo. Não é justo que vás e voltes quando podes ou te apetece e eu me esqueça de respirar a cada regresso teu. Alguma vez voltaste mesmo? E eu, quem sou eu? Sou o que resulta da equação do que não chegámos a ser. Sou o resultado da soma de sentimentos híbridos, um maravilhoso caos prolífico. A "teoria do caos" só é matemática porque afinal, a nossa frágil humanidade é-nos dada pelas subtracções da vida. Demoro-me por isso, nas letras. São elas o catalisador que me ajuda a expelir mais rapidamente tudo aquilo que me apodrece o coração. A verdade é que nada percebo de química, ou matemática ou de amor. Mas percebo de metáforas e do que me aquece as mãos frias e de ti. Costumava perceber de ti. 


Sei o que escrevo, mas não sei para quem


4.12.13

18.37

Uns matam-se com nicotina, outros com esperança. Eu matei-me contigo. Eras tu na minha vida e dopamina no meu sistema. Uma desculpa para fazer asneira. Uma razão para gostar. Um motivo para sair da cama às segundas de manhã. Matas-te-me ou matei-me? Matámos-me. Os dois. Tu porque querias e eu porque deixei. Foi uma morte moral opressiva, lenta. E consentida, acima de tudo. E eu desfrutei de cada segundo dela. "O amor tem destas coisas" convencia-me eu, na esperança que a dor amenizasse. Nunca amenizou.



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