4.12.13

18.37

Uns matam-se com nicotina, outros com esperança. Eu matei-me contigo. Eras tu na minha vida e dopamina no meu sistema. Uma desculpa para fazer asneira. Uma razão para gostar. Um motivo para sair da cama às segundas de manhã. Matas-te-me ou matei-me? Matámos-me. Os dois. Tu porque querias e eu porque deixei. Foi uma morte moral opressiva, lenta. E consentida, acima de tudo. E eu desfrutei de cada segundo dela. "O amor tem destas coisas" convencia-me eu, na esperança que a dor amenizasse. Nunca amenizou.



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#61

Fazem-me falta as tuas criancices porque também eu sou apenas uma criança ostentando um corpo de mulher, e sinto-me abandonada. Há dias em que tenho 8 anos e quero chorar e não consigo, e sufoco na minha própria solidão que me consome até ao tutano. E ás vezes tenho 3 anos e quero colo e carinho e alguém que me cante ao ouvido e me embale até adormecer. Mas o pior é quando acordo com 21 e me apercebo que este corpo não me serve, e esta vida não me encanta e tu não me consolas. Não há dias leves quando se é assim. Há dias que nos pesam menos do que outros. É fodido ser-se uma criança crescida.


(ás vezes penso assim)

3.12.13

Quando me fazem falta, fazem-no da única forma correcta e justa de o fazer: até que as entranhas me ardam e o coração mingúe. Até que o simples acto de existir me doa e eu não saiba funcionar.

Ás vezes fazes-me falta assim, desta forma.