4.12.13

#61

Fazem-me falta as tuas criancices porque também eu sou apenas uma criança ostentando um corpo de mulher, e sinto-me abandonada. Há dias em que tenho 8 anos e quero chorar e não consigo, e sufoco na minha própria solidão que me consome até ao tutano. E ás vezes tenho 3 anos e quero colo e carinho e alguém que me cante ao ouvido e me embale até adormecer. Mas o pior é quando acordo com 21 e me apercebo que este corpo não me serve, e esta vida não me encanta e tu não me consolas. Não há dias leves quando se é assim. Há dias que nos pesam menos do que outros. É fodido ser-se uma criança crescida.


(ás vezes penso assim)

3.12.13

Quando me fazem falta, fazem-no da única forma correcta e justa de o fazer: até que as entranhas me ardam e o coração mingúe. Até que o simples acto de existir me doa e eu não saiba funcionar.

Ás vezes fazes-me falta assim, desta forma.

1.12.13

12.22

Habituei-me tanto a querer-te que te romantizei a ponto de acreditar que as garras que me cravavas a pouco e pouco no coração não eram senão o teu modo desajeitado e humano de cobiçá-lo, de o querer segurar nas tuas mãos a tempo inteiro, aquecê-lo e tomar conta de mim. Mas as tuas mãos estavam frias, e tu já não me procuravas como antes. Já não eras o meu porto de abrigo às 4 da manhã, quando o silêncio nos enche o céu na falta do que dizer, tornando-nos estranhos e desconfortáveis. Já não plantavas palavras de amor no meu pescoço. E os teus beijos de bom dia sabiam-me a beijos de despedida há já algum tempo, e doía, mas eu gostava. 


Eu gostava tanto de ti. 



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