20.10.13

A beleza do que somos encontro-a eu em todas as pequenas coisas feias que já fizemos. Fomos sempre tão errados, subordinados e difíceis de compreender ou ignorar. Nada em nós foi alguma vez romântico, poético ou encantador. Não éramos senão dois miúdos curiosos, sozinhos numa multidão, com almas turbulentas e lábios ébrios, devotos aos sentidos. Esforçámos-nos nós por dar significado a algo que não o tinha, nessa noite amena de primavera.
A primavera cessou, e o verão também. Opostos extremos somam resultados idênticos, dizem. 

E no meio de tanta coisa errada, quem sabe se não teríamos potencial para ser qualquer coisa certa.


19.10.13

Tivesse eu que descrever-te e diria que és os trovões que me fazem tremer as janelas do quarto às 4 da manhã no meio de uma tempestade em pleno inverno, que me fascinam e assustam e me parecem sempre mais próximos do que na realidade estão.

13.10.13

12.46

Eu quis debruçar-me sobre a tua tristeza e desmontar a tua complexidade. Quis ficar contigo, em silêncio, e traçar os contornos do teu corpo suavemente com a ponta dos meus dedos até encontrar cada fenda que um passado abrupto pudesse ter deixado em ti, para que soubesse exactamente onde plantar o meu amor. Quis tomar-te nas minhas mãos e cuidar de ti, beijar cada equimose que maculasse a tua alma. Quis-te tanto, e se calhar, nunca da forma certa.
Mas tu sempre foste tão cheio de medos e segredos, erros passados e dúvidas que nunca partilhaste comigo. Eras um forasteiro perdido há já tanto tempo, carregando uma bagagem demasiado pesada para ti e ainda assim nunca me deixaste ajudar.

Eu quis tomar-te nas minhas mãos. Mas como poderias alguma vez nelas caber?