28.7.13

15.24

Gosto-te perto mas conservo a distância porque sei que as minhas palavras de ocasião te soam sempre a promessas quando chegam até ti a horas estivais tardias. As minhas promessas tornar-se-ão sempre de cristal quando setembro se instalar nas ruas e nos intoxicar o sangue com a ausência mútua, uma e outra vez, tornando veneno o nosso quase-amor que varremos sempre para debaixo do tapete. Que descuidada fui nessa noite amena em que quase aceitei o coração que me deste, segurei-o em minhas mãos com tanta força que o amolguei. Nunca quis que me quisesses porque sempre te quis, mas nunca te quis querer. o deixei que me tocasses senão o coração, e fui tua até aos ossos em segredo. A verdade é que te enterrei inúmeras vezes, em diversos locais, sob diferentes pretextos, e voltaste sempre a bater-me à porta. Tornei-me uma anarquia incerta de metáforas que te reflectiam e gritavam o teu nome sem nunca dizer quem eras. O tempo nunca foi nosso. Aprendi a distanciar-me de tudo o que idealizei a sós, sem nunca partilhar contigo. E neste vazio que ficou, cabe a imensidão de tudo o que nunca tivemos oportunidade de ser. Feri as mãos e o coração nesse jogo, e sujei-os com o remorso e a culpa das palavras que guardei. Tive o teu coração nas mãos e nunca soube o que fazer com ele. Talvez nunca o tenha merecido.


Image belongs to her

17.7.13

"Não te enganes. Aqui não há nada de sagrado. Não vais encontrar salvação depois disto. Já estamos entre nada e coisa nenhuma."
                                                                                                           - O Mundo Cai aos Bocados (e ainda assim as pessoas apaixonam-se)
2.04

Acredito que esta mágoa crónica resulte da minha alma oxidada. Esqueci-me dela lá onde a deixei quando me perdi em aventuras de amor e promessas que fizeram sentido um dia. Pensei-me mais viva se a deixasse aos cuidados de outrem. A verdade que ninguém conta, é que o amor mata mais do que a guerra, e dói-se-me a alma quando não sinto o coração. Tento não me descuidar para que também ele não oxide, mas às vezes fica tão pequenino que não o encontro. O amor fica-me sempre à porta, e é amargo o sabor que se demora na minha boca com a falta desse veneno. Baixo os braços e desisto por um breve momento. Já não choro. Deixo que a solidão me acompanhe por mais um bocadinho porque tenho medo de ficar sozinha.




Image from Tumblr