10.7.13

1.05


Acabo sempre por me afeiçoar a almas enfermas, debilmente expostas ao Inverno permanente que lhes é a vida. Gosto de almas frágeis que carreguem um coração fragmentado entre mãos porque se tornam mais reais ás 4 da manhã, quando o frio se aloja no meu coração em pleno Julho. Fazem-me sentir que precisam de alguém com os braços do tamanho do mundo para as proteger. Fazem-me sentir que eu posso ser esse alguém. Cometo sempre o erro de me convencer que serei capaz de as curar, de aquecer nas minhas mãos aqueles corações frios. Ainda não me mentalizei de que as almas doentes se curam sozinhas. Deixo-me sempre envolver neste delito de ternura e tento aninhar-me nos escombros de corações desalinhados que se encontram tão cheios de memórias que mal têm espaço para mim. É uma espécie de tortura doentia e poética à qual me pareço submeter voluntariamente uma e outra vez.

E acabo sempre com o coração fragmentado também. As mãos ficam-me frias e a alma traumatizada.




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26.6.13


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1.34

Tu não és uma chávena de chá quente para a minha alma fria numa noite pálida de inverno. 
Não carregas a tristeza de dez mundos no olhar, não me tentas oferecer o teu coração de papelão moldado às mãos da vida, embrulhado em algodão doce. 

Não me dóis.

Tu és a adrenalina. És o querer e não poder. És o saber que está errado e mesmo assim gostar.
És o quase. Quase tudo, quase nada, quase meu. És o antónimo. A droga.
Toda e cada célula no meu corpo me diz para parar. E eu repulso-me com essa ideia, recuso-me.

A tua simples existência é-me tóxica, e eu sei que não me faz bem, mas pareço gostar. Vou-me deixando ficar.
Algo em ti é extremamente viciante, e eu poderia, com prazer, sofrer uma overdose de ti, e é provável que estejamos a enveredar por um caminho auto destrutivo, mas eu não me consigo importar.

Não me dóis. Mas se calhar matas.


6.6.13

the problem with time, is that it runs out.
the problem with hearts, is that they don't understand that.