saudades, saudades, saudades.
3.12.11
22.11.11
(...)
desabafos
Hoje está um dia característico da época. Um dia cinzento, húmido, ligeiramente frio. Um dia agradável, perfeito para ficar em casa de pijama no sofá, aconchegada nas mantas de Inverno a ver desenhos animados ou a ler a minha mais recente aquisição no campo da literatura, à qual mal me tenho dedicado. Ah, e o chá de frutos vermelhos ou o chocolate quente a acompanhar para tornar o ambiente ainda mais apetecível e confortável.
No entanto, estou sentada em frente ao computador desde as 8.30 da manhã com uma tremenda dor de costas a terminar uma recensão crítica para história da arte e uma animação em flash para design de comunicação. E é tudo por hoje.
15.11.11
L4
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Manhã. Acordo e deito um olhar preguiçoso e melancólico pela pequena janela do quarto, na esperança de me deparar com uma manhã de Inverno não tão invernosa. Está a chover. É este o clima nada familiar dos Países Baixos. Apetece-me ficar na cama, o único sítio em que ainda te sinto. O teu perfume ainda passeia pelas irregularidades dos meus lençóis que não vêm um ferro de engomar há meses. Tinhas razão Lez, há uma grande diferença entre viver sozinho e viver na casa dos meus pais.
A noite passada, enquanto me tentava focar nas aparentemente infinitas páginas de trabalho por fazer, tive a sensação de ouvir a Senhora Frantzen falar com o marido sobre estradas cortadas devido ao último nevão. É possível, de facto na última semana senti significativamente a queda da temperatura. As noites são frias agora, mas eu não me quero desfazer dos lençóis de verão, tenho receio de que, se o fizer, acabe por perder a sensação de ainda te ter cá por casa. Começo, ligeiramente, a sentir saudades.
Vou para o trabalho. Passo pela rua onde estive contigo no Verão passado. Estavas linda Lez, parecias uma menina, a fugir de mim, a rir o tempo todo. As cores do teu vestido eram quase tão leves como o tecido de que era feito, e esvoaçava com a brisa amena. Os teus olhos sorriam, ou se calhar era eu que tinha essa sensação, e o teu cabelo tinha um cheiro doce e parecia ouro ao mais leve toque luminoso. Agora essa rua está vazia, escura e fria, os canteiros estão mortos e chove torrencialmente em cada esquina. Recorda-me o meu estado. As saudades começam a fazer-se sentir com mais intensidade.
Chego ao trabalho. Na secretária ainda tenho um post-it que me deixaste a dizer "deixei o carregador na primeira gaveta, és incrivelmente desorganizado". Está mesmo junto à papelada do dia. Acho que ainda não te disse, mas passei a guardar o carregador sempre na primeira gaveta. Ao lado do computador tenho uma fotografia nossa, tirada naquele jantar de família em tua casa quando as nossas mães deixaram queimar o jantar porque o Tommy andava desaparecido e acabámos por passar a consoada a comer comida chinesa do restaurante do outro lado da rua. Pelo menos o Tommy estava bem, tinha ido apenas atrás de um gato. Esta proposta de trabalho já não me parece tão aliciante como parecia. Saudades, saudades, saudades.
Hora de almoço. Sento-me sempre na mesa pequena, ao fundo do restaurante onde almoçámos na tua última visita. Lembro-me que a adoras-te porque tinha uma vista incrível, e até sei porque te foi tão familiar embora tu não tivesses dito nada. A mim também me recordou a vista pacata do restaurante do Senhor Manuel. Volto para o trabalho. Nesta altura, as saudades já são tantas que algo em mim parece começar a doer.
Chego a casa. Já está escuro e meto as chaves na fechadura do meu minúsculo e desorganizado T1. Tenho a sensação que ainda te oiço a citar a tua passagem favorita daquele livro que te ofereci. Esse livro ainda se encontra ali na estante, tal como a tua caneca se encontra no armário da cozinha.
Só tu é que já cá não estás Lez. E és só tu quem cá faz falta.
Liam Thompsom
15.11.2011
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