23.9.10

Fenómenos Afectivos





Deixam-me bem, põe-me mal. Fazem-me rir e chorar, têm a capacidade de me tirar a vontade de tudo e de me dar tamanha força que parece quase sobre-humana. Fazem-me errar por vos dar ouvidos e continuar a não acertar quando vos ignoro, fazem de mim o que querem e bem entendem e por vezes levam-me a  crer que se divertem à minha custa. Fazem-me entrar em histeria e gritar de alegria com a mesma facilidade que me deixam de rastos e a gritar de agonia. Se vos apetecer estou deprimida, se preferirem estou radiante. Fazem-me amar muito mas não me deixam amar pouco, não me ensinam a amar menos. Parecem tão imutáveis e perenes num dia para no dia a seguir serem tão diferentes, ou não. Fazem questão de me relembrar que ao pé de vocês nada sou, que têm total controlo sobre mim, são um castigo permanente, diário e eterno e não gostam de se sentir indiferentes. 

Odeio-vos por isso.

22.9.10



"Todo mundo é capaz de dominar uma dor, excepto aquele que a sente."
-William Shakespeare

21.9.10

#12

Falta sempre uma parte de mim, e acho que até sei porquê.
Penso que esta coisa da relação entre duas pessoas é tão complexa, que de um todo que somos nós, apenas uma pequena parte está destinada a ser doada a terceiros.
Mas eu não sei gostar um bocadinho, não sei gostar apenas o suficiente.
Pergunto-me se o problema sou eu que me liguei demasiado a ti, ou és tu que me fazes estar assim tão ligada a ti.
Excedi o limite daquilo que seria consideravelmente aceitável de se entregar a alguém, e dei grande parte de mim, e isto porque poderá ser arriscado confessar que dei (quase) tudo.
Agora não me parece que vá recuperar aquilo de que tão prontamente abdiquei.